

Essa é a história de um menino muito lindo que começa a explorar o mundo ao seu redor.
Ele passava os dias em casa, no ar-condicionado, assitindo mais de 500 vezes seguidas o mesmo DVD do Cocoricó.
Sua avó/babá sempre ao lado dele, inspirando carinho e proteção. Seu pai-criança no escritório ao lado, sempre a postos para brincar um pouco ou fazer mais uma brincadeira maluca de elevador (quando ele suspende o moleque até o alto um milhão de vezes). Sua mãe derretida sempre apertando suas bochechas e repetindo o quanto ele é lindo.
A vida, não há dúvida, era uma moleza.
Aí sua mãe, influenciada pelas amigas, pelos livros e pela irmã, resolve matriculá-lo na creche.
Para que? Para que ele brinque com outras pessoas, para que ele seja mais independente, para que o seu dia-a-dia tenha uma pegada mais educativa com aulinhas de música e de artes, por exemplo.
Meu sonho é vê-lo brincando com aqueles outros pequenos fofos, rindo, se divertindo, fazendo aquele trabalhinho de pintura com as mãos...
Chegou a hora. Compramos "material escolar". Coloquei etiquetas com o nome dele em tudo. As toalhas foram bordadas com seu nome. Participamos de reunião com os pais e professores, para orientação. Providenciei uniforme tamanho 2 e encurtei as manguinhas. Comprei uma pasta para trabalhinhos enorme, que parece de um arquiteto.
E na Hora H? Foi legal? Não! Roberto chorou forte no primeiro dia. Estranhou demais. No segundo dia, hoje, foi melhor. Mas ainda é um sofrimento. Como diz a professora: "ele chora sentido mesmo" . Chega a sair lágrimas.
Hoje mudei de técnica. Esperamos um tempão para que ele dormisse, acordasse bem, se alimentasse e, só então, fosse lá. Ou seja, chegamos faltando uma hora e meia e olhe lá.
Sentou no tanque de areia, mas só comigo grudada ao lado dele. Saimos de lá, ele brincou com a bola. Mas quando me via, largava a bola e escalava as minhas pernas para pedir colo. Saí da sala um segundo e ele desandou a chorar. Aí já eram tipo 17h30m. ele chorava, cansado, todo suado (Ar-condicionado urgente), tipo dizendo assim " já basta". Saí 15 minutos antes do fim.
Coisas boas:
a) não chorou de se acabar como ontem (mas chorou bastante)
b) por alguns microsegundos, eu bem flagrei ele se divertindo...
c) a creche é hiper boa, confio mil por cento. Gosto do clima, do lugar, das coordenadoras.
Coisas ruins
a) Calor. Realmente ele é muito encalorado (até por ser gordo, deve suar mais) e é super hiper acostumado ao ar condicionado. Lá não tem ar e o tempo tá muito abafado. Minha dúvida: será que não têm ar para evitar alergias, gripes em série etc?
b) A professora não tem aquela obrigação de ficar fazendo palhaçada com ele, puxando dele as coisas. Ela cuida de vários. Ele está acostumado a ser o centro das atenções. Adora quando a pessoa fica provocando do tipo "vou te pegar" ou "cadê vc?" (se escondendo atras do pano). Mas sem uma "sacanagem", ele não gosta. Que tal?
c) Ele é o menos adaptado da turminha (são 6 crianças). Os demais já se sentem em casa, é visivel a diferença. Será que é porque ele tem só 11 meses? Os demais têm para lá de 1 ano e 3 meses até 1 ano e meio ou mais. Todos andam, por exemplo, e isso já faz diferença para as brincadeiras.
d) Acho que essa primeira semana vai demorar um tempão. Ou seja, na semana que vem vamos continuar no esquema da primeira semana...
Seguem 2 fotos de ontem em casa antes de ir para lá. Lédio fez quetsão de ir no primeiro dia, não abriu mão desse posto!
Filhote, um dia vc vai ler isso aqui e achar graça. Ontem e hoje vc saiu do casulo pela primeira vez. Tem um mundo inteiro lá fora te esperando. Nós te amamos demais, mais que o demais. Beijos.
PS: olha que legal que recebi da Ciça, uma amiga virtual que entende tudo desse assunto e é professora da Escola Nova. Ciça, querida, muito obrigada!!!
Germana, eu entendo direitinho o que você está dizendo. Esse período de adaptação é mesmo complicado, porque racionalmente sabemos o quanto a escola é importante às crianças, mas emocionalmente é duro ver esses pequenininhos chorando (demais!). Mas, essa fase passa!! Passa mesmo!
O Bob ainda é pequeno, mas vai ganhar muito convivendo com outras pessoas, outras crianças. A partir dos 8 meses o bebê passa pelo período de "Angústia do Estranho" (nível de maturação que permite ao bebê distinguir a diferença visual entre o conhecido e o desconhecido). Durante essa fase, a adaptação pode ficar mais difícil e demorar um maior período de tempo, mas isso não significa que ele está sofrendo.
Se a gente tentar se colocar no lugar das crianças é fácil entender o processo. Elas passaram meses (ou anos!) em casa, com os pais. Um dia são levadas para um lugar lindo, cheio de brinquedos e de atrações, mas os brinquedos não são só deles e as atrações são cheias de regras, para o bom andamento do grupo (antes era só a criança, não havia grupo) e os pais que sempre estiveram presentes em tudo, não podem ficar lá com ela, e para piorar ainda tem o fato de nunca terem visto a professora na vida, então como acreditar que ela é mesmo legal(?!), que podem confiar(?!). Difícil mesmo, não é?
Por isso essa fase de adaptação tem que ser bem calma, respeitando o tempo da criança, para que ela entenda que os pais vão e voltam, que podem confiar na professora, e que a presença de outras crianças é uma coisa boa!
Realmente é muito doloroso ver as crianças chorando. Mas isso tudo passa no momento em que ela sente segurança e entende todas essas questões.
Não sei se foi o primeiro dia de aula do Bob, mas acho que tudo tem que ser feito bem aos pouquinho. Nos primeiros dias você ou quem estiver fazendo a adaptação dele ficam lá com ele, pertinho (mas tentando não interagir muito) e aos poucos, a medida que forem sentindo que é possível, vão para mais longe, se afastando... até que ele perceba que mesmo sem vocês pertinho está tudo bem. Esse é um processo lento e sem muitas regras, porque varia demais de criança, para criança.
Não sei se consegui ajudar muito. Vou ficar na torcida para que dê tudo certo. Qualquer coisinha que você precise me avisa.
Beijos para você e para o Bob!
Um comentário:
Ah, que alegria ver Bob crescendo e ganhando o mundo. Saudades dele e suas big bochechas! mil beijos
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