

Ser vasco é... - por Lédio
...não renegar origens.
...não querer estar na moda a qualquer preço.
...amar um clube que, por mais vencedora e autêntica que seja sua história, sempre terá resistência gratuita e barata do outro lado.
...transmitir de pai para filho; avô para neto; tio para sobrinho; amigo para amigo , o quanto é legítimo, transparante e emocionante ser vascaíno.
Não me lembro a primeira vez que falei Vasco. Não mesmo. Lembro do meu primeiro jogo pelo radinho; e da primeira vez que meu pai me levou ao Maracanã. Todo orgulhoso, saí de mãos dadas com meu pai, pegamos um ônibus na Alameda São Boaventura, a barca Rio-Niterói, outro ônibus na Praça XV e finalmente chegamos. Quatro dias antes, naquele início de agosto de 1974, o Vasco fora campeão brasileiro pela primeira vez. Derrotou o Cruzeiro por 2 a 1, no Maracanã, gols de Ademir e Jorginho Carvoeiro, um herói já falecido.
Enfim, de volta à primeira vez no Maraca. Chegamos e meu pai fez questão de comprar uma bandeira para mim. E lá fui eu, mais vascaíno do que nunca, desfraldando o pequeno manto.
Lá dentro, não importava o resultado. Queria ver Andrada, Roberto, Zanata, Moisés, Luis Carlos. Queria conhecer o Maraca. Queria fazer parte da torcida vascaína. Queria torcer com meu pai...
Lembro também da minha primeira vez em São Januário. Fevereiro de 1978, jogo decisivo contra o Londrina. A Colina estava abarrotada. Fui levado pelo meu padrinho Heráclito e pelo meu primo Heraldo. Perdemos por 2 a 0. Mas adorei. Naquela tarde, sofrida e desconfortável, me senti mais vascaíno do que nunca.
Lembro até da minha primeira vez no Caio Martins. Quarta-feira à noite, em 1980. Meu pai saiu mais cedo da loja e me levou para ver o Vasco ganhar da ADN (Associação Desportiva Niterói) por 2 a 0. Valorizei aquelas duas horas com todo meu vascaínismo. Enfim, ganhei uma.
Hoje, por isso a razão desse post, Roberto Carmona, o Pequeno Bob, falou Vasco (várias vezes), com apenas 1 ano e 4 meses. Falou e levantou o braço rindo como faz sempre. Falou frisando as sílabas: Va-co! Foi emocionante. Não pelo simples fato da conversão pura e simples por um time. Mas, principalmente, por dar sequência ao legado e amor de uma família.
Meu avô, meu pai, meu padrinho... De onde estejam, deve estar brindando.
Ganhamos mais um vascaíno.
E agora, assim que possível, vai ganhar uma visita à Colina Histórica.

Pequeno Bob é nosso!
Com muito prazer.
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