Bob, filho querido e amado, parece incrivel mas houve um tempo na minha vida que vc não existia ainda. Pode isso? pois é, às vezes é dificil acreditar! Eu esperei tanto por você... rezei tanto... senti tanto a sua falta que você nem imagina.
Agora, às vésperas de você completar dois aninhos, achei POR ACASO uma troca de e-mails entre eu e a sua tia Dri. Nesse e-mail longo, mas muito emocionado, eu conto como sentia você cada vez mais perto, mais real, mesmos em te conhecer ainda. Eu sentia que você seria logo logo uma realidade...
Esse e-mail é para você. E para mim! Nós dois, afinal, comemoramos juntos nosso aniversário em breve, ne?
Volta ao tempo: uma conversa entre amigas em maio de 2007. Leia de baixo para cima!
De: Adriana Pavlova [mailto:pavlova@infolink.com.br]
Enviada em: terça-feira, 29 de maio de 2007 15:23
Para: germana@approach.com.br
Assunto: Re: Quanto tempo...
Oi querida, eu é que lamento muito estar tão distante num momento tão importante e LINDO da sua vida. Germaine, este relato todo é emocionante! Achei tudo que vc contou tão enormemente importante e significativo. Cada detalhe é muito bacana, do amadurecimento da opção às percepções que como todo o filho haverá muitas descobertas para os dois...sem contar todo este processo de convívio com quem realmente entende do assunto. Tenho certeza que vc é uma aluna nota dez!!! Dedicada como vc é, nada mais natural. Mas também tenho certeza que esté bebê que virá vai encontrar um casal muito mais maduro e mais feliz para encarar os mistérios de ter uma criança em casa. Eu, que sou uma mãe madura (pra não dizer velha!), tenho certeza que há muitas vantagens nisso. Acho que a gente encara a empreitada de uma forma mais sadia e mais profunda mesmo, porque já viveu muitas coisas. É claro que como vc disse há muitas mudanças e há mesmo, porque uma criança surpreende sempre...por mais que a gente leia todos os livros, converse com os pediatras e médicos mais incríveis, o dia-a-dia é sempre mais revelador e surpreendente. Mas o mais legal de tudo é que a gente também aprende com eles todos os dias. De mãe insegura nos primeiros dias de contato com o bebê a gente se transforma logo-logo em mães pra lá de seguras. É um processo lindo, doloroso mas lindo. Posso dizer que eu e o JM temos vivido intensamente este processo e continuamos nos questionando sempre. Mas também não há nada mais bacana do que ver o seu filho trilhando os próprios passos a partir do mundo que a gente apresenta para ele. É magnífico, viu?
Tenho certeza que logo-logo vc vai entender isto tudo que eu quero falar...teria tantas outras coisas...mas agora só possodizer que estou muuuuuuuuuuuuuuito orgulhosa da minha amiga querida. Saiba que mesmo longe estou aqui para o que der e vier.
Sinta-se muito abraçada e querida, tá?
Ah, o diário é uma idéia incrível. Vai ser muito bacana para ele ter tudo assim escrito.
BEIJOSSSSSSSSS,
Adriana
----- Original Message -----
From: Germana Costa Moura - Approach
To: 'Adriana Pavlova'
Sent: Tuesday, May 29, 2007 11:37 AM
Subject: RES: Quanto tempo...
Oi, amiga. tenho pensado muito em vc. Como está tudo? e os dois meninos da sua vida? Desculpe o sumiço. É tanta coisa acontecendo ao mesm tempo!!!
Por aqui, a adoção está correndo super bem, às mil maravilhas e acho que logo logo receberemos o certificado de habilitação. Fomos beneficiados por um mutirão inédito, que visa a agilizar os processos no Juizado. Etapas que demoram meses (até anos) para acontecerem estão correndo em tempo recorde. Muito bom. Hoje mesmo vou passar a tarde toda lá em mil entrevistas.
Semana passada, a assistente social nos disse que temos "uma visão mais amadurecida da adoção do que o restante do nosso grupo". Isso se deve, talvez, aos livros que já devoramos, às trocas que já tivemos com outros pais, e ao Café com Adoção, que eu estou freqüentando. Foi como uma estrelinha de purpurina que a professora colou no meu boletim. Nota 10.
Pelo depoimento das pessoas do nosso grupo (são 15 ao todo), pude ver como a adoção ainda evoca medo e é cercada de mutos fantasmas e clichês. Hoje, eu vejo que a adoção é só a forma que o bebê chegará às nossas vida. É a estrada, o carro, o trem, sei lá. Mas depois desse primeira etapa (que é um saco, é burocrática e muito delicada, porque envolve uma mãe biológica cheia de poréns e questões, muita pobreza e miséria sempre!) ele deixa de ser filho adotivo e vira só filho. Sem adjetivo. Essa é a grande revolução que estamos prestes a experimentar. Depois de 11 anos de casados, na faixa dos 40 anos, vamos ter uma vida completamente nova. Vai entrar uma terceira pessoa. Que vai bagunçar a nossa vida, mexer com os nossos horários, provocar menos idas (ou mais idas, sei lá) a Petrópolis, que vai mexer em t-o-d-o-s os bonequinhos do escritório do Lédio, que vai ter febre, mas tb vai ter muita saúde, que vai ter escola, vai ter amiguinhos etc. Não quero um filho idealizado, romântico. Quero um filho, com todas as alegrias e as chatices típicas do cargo. Risos.
Enfim, estamos curtindo essa gravidez. Cada encontro desses é uma ultra-sonografia, um exame de glicose, uma coisa desse tipo. Cada dia vai ficando mais concreto e mais perto. Com a diferença que pai e mãe têm as dores de parto e sentem as contrações. Havia vários pais em nossos grupo, muitos com filhos biológicos tb, e estão todos babando, participando, um barato. Nossa idéia agora é criar um diário dessa espera. Ir registrando com fotos e textos a história do nosso filho. Porque um dia (por volta dos dois anos), vamos ter que explicar a origem, ir construindo essa historinha na cabeça da criança. Esse diário, com fotos, é uma forma ótima de ajudar.
Depois de recebermos o certificado de habilitação, vamos nos inscrever em diversas comarcas, país afora e esperar as filas. Mas elas andam mais rápido ou mais devagar em cada cidade. Tem tb a adoção de crianças mais velhas (acima de 4 anos) em abrigos. Não é nosso plano original, mas vamos ser consultados em casos assim.
PS: o processo é looooooooooongo. Dou reports de meses em meses, senão vc não me agüentaá mais.
Um beijo.
Gê
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De: Adriana Pavlova [mailto:pavlova@infolink.com.br]
Enviada em: segunda-feira, 28 de maio de 2007 18:32
Para: Germana - Approach
Assunto: Quanto tempo...
Oi Gê, quanto tempo!
Tenho pensado em vc...como vai tudo?
Mande notícias.
Aqui a barriga está crescendo superbem (nada com a experiência do segundo), enquanto o Léo está cada vez mais deliciosamente esperto!
beijossss
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