quarta-feira, 16 de março de 2011

Adeus, chupeta

http://oglobo.globo.com/blogs/mae/posts/2011/03/16/adeus-chupeta-369267.asp


Uma fada passou na nossa casa e levou todas as chupetas de uma hora para a outra enquanto dormíamos. 
Foi assim que no último domingo, meu filho, 3 anos recém completados, entendeu que aquele objeto que ele tanto amava sumiu, desapareceu, babau, ja era!
Até eu mesma sou capaz de acreditar nessa versão: a chupeta realmente SUMIU!!! Na bagunça da nossa casa, domingo de manhã, quem disse que eu encontrava a tal "pepeta" para poder sair de casa? Uma hora procurando e nada! Procura na cama, entre os lençóis, nas gavetas, na mochila. NADA! Meu marido impaciente querendo sair e deu-se o seguinte diálogo:
Eu: "Não dá para sair sem chupeta. Temos que esperar até encontrar. Na hora que ele sentir falta, vai dar uma crise..."
Lédio (marido): "Como assim, crise? Não podemos ter medo do nosso próprio filho só por causa de uma chupeta. Essa dependência já está passando da conta."
EU: "Concordo. mas ele ainda nao largou e..."
Roberto (meu filho), me interrompendo: "Mãe, foi uma mágica. A fada deve ter levado". 
Vocês acham que eu ia perder essa chance? Ele mesmo me deu a deixa e a explicação. Embarquei na história. A fada (que deve ser uma bruxa malvada!!!) esperou ele fazer 3 anos, passou no quarto e pegou as chupetas para dar para crianças menores. Afinal, ele já é bem grande e crescido. Ele até gostou na hora: se sentiu o tal, todo grande. Há tempos estamos falando sobre isso... tentamos dar para o Papai Noel, mas ele pegou 2 minutos depois e como eu ia viajar dia 29 de dezembro achei melhor não mexer nisso naquele momento. Meu plano era ele dar voluntariamente para o Coelhinho da Páscoa. Na minha cabeça, iria comprar uma caixa bem linda, com laço de fita, colocar as chupetas e mamadeiras dentro, e dar para algum Coelhinho da Páscoa em algum shopping.
A grande diferença entre o planejado e o que foi realizado é que ele não deu a chupeta. A fada veio e levou dele. É diferente, ainda que o resultado seja exatamente o mesmo: o fim de uma era.
Cada criança é de um jeito, umas são mais apegadas outras nem sequer chuparam chupeta. Sou mãe de filho único, então falo da única experiência que eu sei. Roberto não ama a sua chupeta não. Vai bem além disso. Eram quase a mesma pessoa. Desde que nasceu, nao teve um só dia na vida dele que passou sem ela. Embora hoje em dia usasse só a noite, nas horas de aperto (sono, quando se machucava, fome, irritação etc), sempre pedia por ela. 
Eu sabia que ia ser difícil. Aquele papo de fada era lindo pela manhã. Na hora que o sono viesse, a conta alta chegaria junto. A crise bateu lá pelas 18h (ele não conseguiu tirar o sono da tarde, sem o seu objeto sagrado) e ele chorou MUITO, me chamou de "sua feiosa", fugiu de mim toda vez que tentei aconchegar e dar colo. Se eu me aproximava ou falava qualquer coisa, ele gritava e me empurrava. 
Eu detesto malcriação e nao dou muito espaço para chororô. Mas dessa vez era inteiramente diferente. Ele realmente estava sentindo falta. O motivo pode ser meio bobo para nós, adultos, mas para ele é como se estivesse perdendo o chão. Comparei com o processo de quem para de fumar. Com o agravante que não tem nada de racional que a gente possa dizer  a ele. Tudo que ele deseja é a sua pepeta de volta!!!
Nesse primeiro dia, só dormiu depois das 22h, com a cara inchada de tanto sono e choro, mas nada conseguia acalmá-lo. Parece que daquele plástico sai algum tipo de nicotina ou Prosac. Fiquei horrorizada. 
Hoje, 72 horas depois, é outra história!!! É nítido o progresso!!! Vamos sobreviver e já vejo luz, muita luz, no fim do tunel. A chupeta vai virando uma lembrança...
Mas já que foi uma experiêencia intensa, vou listar aqui abaixo algumas coisas que aprendi na pele e que minhas amigas, na hora da aflição, me contaram. O tema foi amplamente debatido entre amigas com filhos pequenos e contei também com toques da minha analista e da diretora da escola. E vocês, já passaram por isso? Lidaram bem com o processo? Contem para nós.
O que eu saquei/ouvi/aprendi:
a) Não tem dia bom para se tirar chupeta. Todos os dias são ruins. Esse consolo (com essas palavras) eu ouvi da diretora da escola e adorei. O processo é duro mesmo, apenas enfrenta-se.
b) A respeito do item acima, eu me questionava se o Roberto estava pronto para dar esse passo. Afinal, a filha de uma amiga foi calmamente com a mãe até a lata do lixo, jogou a chupeta fora, e ganhou uma boneca em troca. Mas de que adianta comparar crianças? O Roberto não estaria pronto nem hoje, nem na Páscoa, nem no Natal de 2012. O acaso me deu o empurrão e eu aproveitei.
c) A chupeta é uma extensão do peito, é uma forma de a criança se separar um pouco da mãe e ter alguma autonomia para explorar o mundo. Livrar-se dela, significa outro passo para ir mais adiante nessa busca pelo mundo, pelas coisas da vida... isso, segundo a piscologia (não sou especialista, estou repetindo o que eu ouvi). Achei ótimo e é isso aí. Vamos em frente.
d) Desisti de me livrar das mamadeiras nesse momento. Vamos com um passo de cada vez.
e) Roberto largou a chupeta com 3. Outros filhos de amigas com 2,5, outros com quase 4. Para mim, ja estava me incomodando aquele menino enorme, altíssimo, com aquela chupeta velha na boca. Acho que nao seria legal esperar até 4, pelo menos para mim. Mas se ela não tivesse sumido, eu duvido que tivesse coragem para cortar assim de uma hora para outra!
f) Cada vez que eu perdia a chupeta era um estresse. E sempre perdi muitas vezes em mochilas, bolsas, entre as almofadas da casa. Não acredito que isso está ficando para trás.
g) Já notei que ele tá ansioso e com boquinha nervosa, querendo comer mais. Mesmo para uma criança, essa tal da ansiedade existe, ne? Mal do seculo. Vou ficar de olho.
h) Tá otimo na escola, socializando bem, etc. O grande problema foi no primeior e segundo dia, principalmente para dormir.
i) Na hora da raiva, ele estoura! Me chama de "feiosa" e a babá foi xingada de "madrasta"!!! Olha isso. Achei muito engraçado.
j) Confesso que dei presentes para compensar. Foi uma dica das minhas amigas e comprei pequenas besteiras, como um carrinho, um bonequinho, para agradar. Mas ele disse a babá que não foi a fada que mandou e, sim, a mãe dele.... No fundo, ele sabe que estou culpadíssima!
k) Também procurei estar em casa na hora dele logo na primeira segunda-feira. Foi bom. Infelizmente ontem e hoje não consegui chegar a tempo de vê-lo acordado... uma pena enorme. Queria muito estar pertinho.
l) Eu usei chupeta até muito muito tarde. Resultado: aparelho dental toda a adolescência!!
Amo demais meu filho. Dá vontade de suprir todas as carências e necessidades dele... se eu pudesse faria qualquer coisa para ele não sofrer. Mas essa renúncia é boa para ele. Quem me dera eu conseguisse fazer o mesmo, controlar mais a minha ansiedade, não colocar coisas na boca (comida) que me deixassem mais calma. Que bom que nunca fumei. Uma coisa eu garanto: chupeta nunca mais! Meu pequeno, com sua incrível capacidade de adaptação, já está em outra!.

Roberto bem pequeno já com sua chupetinha.

No Reveillon 2009/2010 com a sua chupeta. Ele só foi largar um ano e 3 meses depois disso!

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