quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Miguel e os gritinhos


Miguel anda não fala. Ele tem um ano e cinco meses e quer muito — muito mesmo — começar a falar. Então ele achou mais fácil berrar. Ele também chora um pouco, como é mais comum em bebês, mas a sua forma de comunicação mais usual é berrar em plenos pulmões. Ele quer ganhar todas, literalmente, no grito.

Não é lá muito fácil.

Acho que é automático, por mais que a gente saiba que é uma forma de "diálogo", dá um grande nervoso ver a criança berrando. A gente quer logo resolver o "problema", seja ele qual for. Hoje de manhã os gritos (de acordar a vizinhança) eram porque eu não estava acertando o livro que ele queria na estante.

- Ah, não é esse o livrinho que você quer? Então pega esse, esse e mais esse!

Os gritos deram certo: ele venceu. A mãe pegou todos os livros em 5 segundos. E ele nem precisou pedir com palavras.

Todos os dias eu me arrependo de estar facilitando a vida dele. Me prometo que não vou mais ceder aos gritos e vou me fazer de desentendida. Mas quando eu vejo está lá o meu filho lindo aos berros, ansioso por ser compreendido e por se comunicar.

Ai que aflição.

Roberto falou muito cedo. Com 1 ano e dois meses falou "au au". Em seguida veio mãe, mamame, pai, papai, água e até gol. Não me lembro de ter ficado assim ansiosa com ele. Mãe de primeira viagem 4 anos atras, eu senti um enorme alívio quando ele andou com um ano e 1 mês. Ja no mês seguinte ele estava me brindando com os nossos primeiros papos.

Todos dizem para não comparar um filho a outro. Está certo. Miguel está dentro da faixa etária dele, tem apenas 1ano e cinco meses. Masa gente tem direito de ficar um tiquinho angustiada? Ou não?  Ele quer muito falar, mas as palavras simplesmente não saem. O que temos são berros simpáticos a la Bambam dos Flinstones: babaababa,gaaaaaaaaaaaaaaaa, dhdhdhdhdh, bababababababa.

A psicomotricista me disse que já são sílabas. Tomara

Sinto também que ele está mais nervoso com o estado geral da casa, o pai operado da coluna, a mãe sempre tensa e pilhada. Ele pode estar gritando mais para chamar a atenção. Seja como for, ele precisa ser ouvido. Eu tô agindo demais, tentando calar o gritos, e ouvindo pouco.

Mas amanhã será diferente. Prometo melhorar.



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