domingo, 5 de setembro de 2010

A creche sumiu

Bob no seu primeiro ano de creche, em 2009

Desde meados de agosto, entrei num tsunami emocional. O motivo: a creche do Bob, nossa mais do que amada Garatuja, iria fechar as portas. Primeiro eu achei que era boato e não levei fé. Depois, tive a confirmação, mas ainda de forma extra-oficial. Nesse ponto, eu ja deveria estar começando a procurar escolas. Mas só fui me mexer (por mil motivos, o mais importante deles era a absoluta falta de tempo, porque queria fazer isso com o Lédio), no dia 25/08. Nesse dia, quando percebi que a minha primeira opção de escola dificilmente teria vaga, quase sentei e chorei. Ao todo, foram avaliadas 19 creches e, no dia 03/09, finalmente batemos o martelo e conseguimos uma vaga na Escola Nova. Agora é recomeçar e ele será muito feliz ali. Mas segue um pouquinho do que passamos, só para não esquecer!


Um detalhe: entre a noticia do fim da Garatuja e a confirmação da vaga na Escola Nova, rolou mais ou menos o seguinte (posso dizer que foi a primeira crise da era pós-Bob):

  • 5 mil e-mails e telefonemas com amigas da creche
  • 200 consultas à minha irmã Danda sobre Educação, Mudança, e o que o Bob precisa na idade dele.
  • Apenas 2 sessões de análise porque a analista estava de férias.
  • 3 mil palpites de amigos
  • 11 dias de insônia 



Reprodução do post publicado no Globo Online (http://oglobo.globo.com/blogs/mae/posts/2010/08/25/a-creche-sumiu-319119.asp), onde vale ler também os 25 comentários. (http://oglobo.globo.com/servicos/blog/comentarios.asp?cod_Post=319119


Enviado por Germana Costa Moura -
25.08.2010
 |
22h04m

A creche... sumiu!

Amigos e amigas, acho que vou escrever uma peça de teatro — começa como tragédia e depois espero que acabe em comédia — sobre o desespero que bate em uma pobre mãe quando de repente, não mais que de repente,  ela fica sabendo que o seu filho é um sem-creche.
Isso aconteceu comigo ontem, dia 24/08. Comigo e com mais dezenas de mães e vizinhas que tinham toda confiança, amor e carinho pela creche-escola que funcionava há trinta e poucos anos naquele mesmo casarão no nosso bairro.
Eu adorava a creche, mas no fundo no fundo nem sabia o seu real valor. Achava boa, legal, conveniente, bonita. Adorava os trabalhinhos e os relatórios. Tinha amigos lá, meu filho sempre gostou. Eu simpatizo com tudo e com todos. Mas sabe quando algo é tão bom e tão normal que ele não te faz falta, você nem lembra que ele existe? No bom sentido da coisa, claro.
De repente, cadê a creche? Vai fechar! Há trinta e poucos anos ali, o que era aparentemente super sólido se desfez no ar. Não vou entrar nos porquês, não cabe a mim julgar. Quero falar aqui nesse post —desculpem, só agora vou chegar no ponto principal — sobre a difícil, aliás dificílima, escolha de uma escola para o seu filho.
Eu queria muito ser pouco exigente e "comprar" uma escola como quem compra uma bolsa ou um sapato. É bonita? Cabe no orçamento? Combina com o resto da roupa? Vou levar! Ah, não tem preto? Que pena, então me dá o marrom.
O que acontece é que nessa idade de 3 anos a coisa complica. Não cabe mais uma pequena crechezinha de bairro porque ele veio de uma creche grande e bem estruturada e não pode andar para trás. Visitei várias creches e escolinhas vizinhas e, em alguns casos, me senti sufocada. Para essa faixa etária, as creches são uma mistura de berçário com mini escolinha e acabam priorizando os pequenos. Pelo menos foi essa a impressão que eu tive pois me senti num conto de fadas onde é tudo mini como na casa dos 7 anões! Onde a criança brinca? Como ela pode correr aqui? Ah, é esse espacinho aqui que você chama de pátio?
Minha primeira opção, então, é por escolas e, para essa faixa etária de 3 anos, novamente não temos muitas opções. Duas escolas muito boas, consideradas referências na Zona Sul não tem mais vagas. Uma delas, pasmem, talvez tenha vagas só a partir de 2012. Claro que estou, inicialmente, restringindo a busca à Zona Sul. Mas é incrível. Ou faltam escolas ou existe um mercado muito promissor e é difícil explorar!
Meu marido tenta me tirar da depressão e me mostrar que não é o fim do mundo. Como não é? Eu era feliz, muito feliz, e não sabia. Eu tinha qualidade no ensino, amizade e carinho, tanto da professora quanto da coordenação, um ambiente lindo com um pátio enorme, cheio de espaço, árvores e ar livre. Não bastasse isso, era a dois passos de casa. As demais crianças (e suas mães) viraram extensão da nossa família. Sou mãe de primeira viagem. Perdoem o melodrama. Para mim, essa pequena experiência é, na verdade, muito profunda. É a primeira grande perda que tenho na era pós-Bob. Nosso pequeno mundo, tão seguro, já era. Mas é claro que vamos nos reorganizar. Só que agora está doendo pra caramba!
Tenho amigas que nem dormem mais. A lista de escolas sendo visitadas é gigantesca. Eu já passei das dez. É um curso intensivo de como enlouquecer. Mudo de opinião a cada cinco minutos. Tento dar notas e estabelecer rankings entre elas. Até parece que eu sou o Enem. Como se meu filho fosse passar no vestibular e essa decisão fosse vital para a sua vida como um todo...
O que eu quero mesmo — só consegui acalmar o pensamento agora, depois de muita angústia e insônia — é que ele entre com 4 ou 5 anos em uma escola muito boa. Se não dá para ser em 2011, de 2012 não passa. Aquela tal escola sem vagas vai receber visitas semanais minhas (risos). Acho que tenho uma janela aí de um ano para buscar uma das opções que me encheram os olhos mas que, infelizmente, não têm vagas. Ano que vem, a busca começará bem mais cedo.
Algumas lições eu tiro de tudo isso e compartilho com vocês. Mas deixo claro que são opiniões extremamente pessoais e obviamente muito podem discordar! Estou aberta ao debate e, como disse, estou aprendendo muito com essa experiência.
a) Para mim, escola é sinônimo de espaço e muita criança. A sala pode ter poucas crianças, seis, sete, dez. Mas a escola em si, não. Não sou fã daquelas muito pequenas que, dentro de um ou dois anos, não dão mais conta do recado. À medida que eles crescem, fica cada dia mais difícil encontrar vagas para os mais velhos, estou vivendo esse drama agora exatamente porque meu filho estaria indo para o terceiro ano na mesma creche. Trocar nessa etapa está sendo difícil, então, dê preferência a alguma que possa acompanhá-lo por alguns anos.
b) Visite em vários horários. Pela manhã é uma realidade e à tarde pode ter mosquitos ou ser muito quente, por exemplo.
c) Quem foi que inventou que não se deve ligar ar condicionado nas escolas e creches? No dia de hoje, com o ar seco, a visita às escolas era quase uma tortura.
d) Por que toda creche que eu visito faz questão de falar do inglês e quase nenhuma me apresentou o ensino do português e dos livros?
e) Não sou educadora nem especialista. Mas até que me provem o contrario, alfabetização é na escola e não na creche. Mas posso morder a língua.
f) Sim, eu gosto de beleza. Instalações bonitas e novinhas me deixariam mais feliz e menos desesperada (como estou).
Eu só quero meu filho feliz, num lugar legal, onde eu tenha aquela empatia e confiança de sempre. É pedir muito? E vocês? Como fizeram para escolher a escola ou creche dos filhotes?
Beijos

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