domingo, 5 de setembro de 2010

O começo de tudo

Muita gente me pergunta sobre adoção. Agora mesmo estou ajudando a tia de uma amiga (que a essa altura ja virou minha amiga também) com um pouco da minha experiência. Nessas horas, eu sempre recorro ao blog antigo do Bob, com os primeiros posts sobre tudo que pasamos e sentimos naquela época. Já faz tanto tempo, a gente vai esquecendo. Mas ainda bem que existe o blog para manter essa memória vivíssima. 
Então fui lá no endereço antigo (http://ledio.blog.uol.com.br) e recuperei um post fundamental. É o começo do começo. Recordar é viver. 



30/03/2008

Começando do começo

Já passou quase um mês desde que o Roberto - Pequeno Bob, como o chamamos - entrou na nossa vida.
E eu NUNCA mais tinha postado nada. Um horror. Tanta coisa já aconteceu... Vou tentar recuperar...
Sorte que temos MUITOS e-mails e fotos trocados com familia e amigos, aí dá para retratar bem o clima que
vivemos nos primeiros dias. Segue o restrospecto! Lá vai.
Foto do Roberto no primeiro dia

1 - Pré-Audiência
Os primeiros dias como pais do Roberto foram maravilhosos e também repletos de MUITA INSEGURANÇA.
Maravilhosos porque ele é simplesmente um sonho. Lindo, saudável, bonzinho, gente boa demais (risos).
Cada dia mais lindo, mais engraçadinho. Cada dia, estávamos (e estamos anda) mais ligados a ele...
Chegamos a criar várias músicas, cada uma adaptada de algum sucesos da MPB. Tipo assim:
"Baby, baby, I Love you... (na voz de Gal Costa)"
E a insegurança? É que até a audiência de adoção, mal dava para respirar. Não conseguia nem sequer pensar
na possibilidade de perdê-lo e voltar para casa sem o nosso amado reizinho. Todos nos diziam para relaxar,
que a causa estava ganha, que a Obra de Deus seria completa. Mas por via das dúvidas, eu rezava 24 horas por da,
pedia orações e torcida a 100% dos meus amigos. Fiz promessas, passava o tempo todo pensando só nisso.
Nessa fase, a gente ligava para o Rio todos os dias, várias vezes por dia. Nossa vontade era a de voltar para
casa IMEDIATAMENTE. A gente queria ver o Roberto no quarto dele, no bercinho dele, no RIO, na LAGOA, na NOSSA VIDA.
Por isso, outra música qe e gostava de cantar era "Ele é carioca, ele é carioca, olha o jeitinho dele andar..."
O pessoal de Fortaleza foi nota mil. Linea, em primeiro lugar (a quem nunca consegirei agradecer o suficiente) e toda sua familia;
Adriana e Familia; Helcio e Renata; Simone nossa prima... Todos tentavam nos animar e nos passavam muito calor e aconchego.
Veja as fotos do jantar com Linea e Familia e o almoço da Adriana. Nesse almoço, Bob conheceu a família Theophilo de Fortaleza.


 
Linea foi mais do que uma amiga, uma irmã. Passamos uma tarde deliciosa na sua casa, ao lado das filhas e
do cachorro Bambam, antes da audiência. Ela queria que a gente se sentisse em casa e amenizasse a
inseguança e a saudade dos familiares. Conseguiu! Obrigada, querida.
Foto Linea e Bob.

Mas ficar ali era temporário! Se estávamos ali, era porque ainda não tínhamos passado pelo juiz e, por isso, ainda havia o suspense no ar, certo? Para amenizar a saudade, a gente mandava dezenas de e-mails cheios de fotos para todo mundo e mais um pouco! Algus exemplos da nossa rotina no flat de Fortaleza!
Posando em homenagem a Beth Garcia (que deu essa roupa LINDA)
 
Pai e filho




Ganhando intimidade com as mamadas

Maze, que foi babá da Gê, agora com a nova geração

2 - Dia 13 de março, a data da audiência
A audiência CUSTOU a sair. Passamos por um susto. Nosso advogado disse que seria só no dia 25 de março,
dali a 16 dias... Ficamos arrasados. Lédio teve que voltar ao Rio para trabalhar e passamos pela separação.
Ele no avião; eu, Bob e Mazé em Fortaleza. Nao era justo! A gente quera ir todo mundo junto para o Rio,
para a nossa casa. Enfim, fazer o quê?
Mas aí veio o MILAGRE. Nosso advogado conseguiu remacar para o dia 13/03, ou seja, em apenas dois dias.
Meu coração voltou a palpitar. Caramba, dentro de dois das, nosso destino seria selado. Eu dizia: "Chegou a hora da verdade".
Pedia e pedia milhões de orações para todos os amigos.
3 - A audiência, enfim
Deu tudo MUITO MUITO MUITO MUITO MUITO CERTO. Só isso que interessa! A juíza nos concedeu a adoção definitiva,
o resto é detalhe! Toda a aflição anterior a essa data, tudo que passamos para chegar até lá... um ano e pouco de preparação
para adoção, dezenas de documentos autenticados enviados por sedex para o Brasil inteiro, váaaaaaaaaaaaarias consultas a
advogados no Rio e em Fortaleza... tudo isso é besteira, é fichinha. O que interessa foi o que eu ouvi da juiza, Dra Maria Alda
Holanda Leite: "Roberto é um rapaz de sorte". Pronto! Nós somos os pais do Bob e ele é nosso filho. E como diz Nelson
Rodrigues: Que se danem os fatos. Ele não nasceu da minha barriga, mas e daí? Isso é um fato de menor importância!
O que interessa é que somos pais e filho. Posso dizer com todas as letras que esse filho foi feito por nós. E ponto final.
Saímos da audiência ultra emocionados. Era hora de agradecer e contar ao MUNDO que o Roberto era nosso.
Eu tinha preparado um torpedo (mensagem pelo celular) para avisar aos mais chegados. Mandei as primeiras dez
mensagens (é só o que o meu cel consegue mandar ao mesmo tempo) e aquilo se espalhou como um vírus.
Recebi dezenas e dezenas de telefonemas em questão de minutos.
A primeira a ligar foi a Cintia, da Approach (ela é da letra C, foi uma das primeiras a receber!) e eu confirmei tudo.
Ela ficou histérica e mandou um e-mail geral para toda a Approach (90 pessoas!). Em seguida foi a Paulinha Autran,
a madrinha, que tb ligou pilhadíssima e mandou e-mail para todos os amigos da PUC. Consegui abrir uma brecha
nas ligações para ligar para as nossas mães, coitadas, que tb precisavam saber de tudo. Depois das famílias
avisadas, continuei recebendo ligações e mais ligações. Bia me ligou chorando, super emocionada.
Ines ligou logo em seguida, tb com a emoção à flor da pele. Seguimos assim, atendendo o celular freneticamente
por mais horas e horas seguidas. Até a noite, a adrenalina ainda nao tinha baixado!
À noite fizemos um jantar de despedida para todos os amigs do Ceará. Nunca vamos esqecer da ajuda e
calor humano que recebemos. Quem foi? Linea e todos os seus filhos lindos, Adriana, Valdemir e Tia Nazaré,
Simone, Fatima e seus dois filhos (a menina era aniversariante), Helcio e Renata. No fim da noite, surpresa!
Nossos queridos advogados (agora tb amigos) Deodato e Rachel. êeeeeeeeeee! Todos ultra felizes pela
chegada do Bob e pelo resultado da audiência.
Veja as fotos. Uma geral da mesa e uma dos advogados (que chegaram por último).


 4 - A ida para casa
Chegou o dia de ir pra casa, no Rio, mas só chegamos no sábado quase 11h! Choveu muito no Rio e enfrentamos o caos aéreo! Horas de atraso, escala em Campinas, desembarque com quilos de bagagem em plena madrugada no interior de SP. Que felicidade. Mas no sábado, enfim, chegamos. Toda a familia materna veio conhecer o reizinho. O sábado teve a visita da avó Fernanda, da Tia Rê e Família, da Tia Danda e Família e do tio Dedé. A família Carmona conheceu o reizinho em Niterói, dois dias depois (já chego lá).
Fotos do embarque e da chegada ao Rio. Renata saiu fora de foco (pena!). As família da Danda e do Dedé não foram
fotografada (estávamos exaustos e esqueci!).
 


5 - Primeiras visitas
A Primeira visita do Bob foi em Fortaleza: Helcio e Renata, dois cearocas, o visitaram ainda
no flat de Meireles. Já no Rio, Paulinha (a Dinda mais feliz do Universo) chegou logo cedo.
Simonal, Barreto (Dindo) e nosso afilhado Pedro tb não perderam tempo. No domingo ainda vieram
(que bom!!!) Aydano e Flô e as tias Isa, Grazia e Dea. A partir de segunda, vieram o casal Fofão,
as amigas da PUC (Tiane, Raq, Pati, Angelica), Pavlova, Orro e Luisa (nossos afilhados de casamento),
a turma da Approach - Jow, Eriquinha (2 vezes), Cintia e Matilde - os primos Rogério, Adriana e Combate,
o trio Inês, Helena e Celso (Inês é a primeira amiga com quem conversei na vida sobre adoção!
Uma super amiga e uma grandeeeeeeeee professora) e os queridos vizinhos de porta Rogerio e Darlene.
Já na primeira semana a quantidade de presentes do Bob era assombrosa. Ele já está muito mimado!!
Aproveito para agradecer os presentes deixados aqui (além do  carinho é claro): Rizzo (rápida no gatilho!!!),
Sr Arthur Sendas, amigos da Approach, Amigos da Riopol, Beatriz e filhotas, Vivian e Família,
Beto Largman e Família. Nosssssssa! Dizem que será necessário alugar o Maracanã para receber
tantos amigos!!! E as visitas estão apenas começando, heim?!!
Um agradecimento especialissimo para 3 pessoas queridas: a Isa, que deu berço, bebê conforto, moisés,
esterilizador de mamadeira etc (é melhor perguntar o que a Isa não deu para ele...), Pavlova (que deu
uma mala de roupinhas de Leo e Thomas, seus filhos lindos) e Renata (com as roupinhas do Lucas,
meu sobrinho lindo). O mais legal de usar essas coisas dos filhos dos amigos é a troca de energia.
Acho o máximo Bob dormir no bercinho que foi da Camila e da Nunuca (filhas da Isa).
Pode existir mais amor e carinho nessa relação?
Vamos às fotos dos visitantes.
Helcio e Re, ainda em Fortaleza:

Dinda:

O encontro de Pedro Barreto e Bob Carmona

Ines, Helena e Celso

Helena

Tias amigas de infância (Isa, Grazia e Dea)

Casal Fofão

Primos Rogerio, Adriana e Combate

Nossos vizinhos queridos

Amigas da Approach (Jow, Erica, Matilde, Cintia e Luisa, que nao é da Approach)


Orro, o filho mais velho do Lédio

Cristina fez o quarto do Bob!

6 - A ida a Niteroi
O encontro de Bob com os parentes paternos foi emocionante. Mais do que isso, foi histórico.
Nesse dia, terça dia 19 de março, Bob conheceu seu avô Germenci Carmona.
Lutando contra um câncer de pulmão há mais de um ano, o Sogrinho (como eu o chamava) estava muito
fraco e magrinho, mas vibrou ao conhecer seu mais novo neto. Tiraram fotos juntos (postarei em breve, estão
em outra máquina), viram Tv juntos, foi uma tarde diferente para ele... O Sogrinho estava preso ao seu quarto
desde janeiro, sem forças suficientes para se levantar, nem vontade de fiar em qualquer outro lugar da casa.
A gente sabia que era grave, claro. Mas nunca poderíamos imaginar que ele viria a falecer em apenas uma semana.
Para se ter uma idéia, até domingo (dia seguinte à nossa chegada), a gente insistia para ele vir ao Rio conhecer o neto.
Lédio queria motivar o pai a sair do quarto, ao mesmo tempo que queria gerar uma alegria para sua mãe. Mas para não
cansá-lo demais, optamos por irmos nós a Niteroi, assim que o Roberto fosse liberado pelo pediatra.
E assim fizemos. O reizão conheceu o reizinho. A coroa mudou de mãos. O patriarca dos Carmona se
internou apenas dois dias depois dessa visita e veio a falecer logo depois da Páscoa.
Dou graças a Deus todos os dias por ter voltado antes de Fortaleza, pela realização do
encontro do avô e seu neto. Nos últimos dias, Lédio ficou bastante perto do seu pai.
Na terçá-fera, seu último dia de vida, nós ainda estivemos no hospital e passamos uma parte da tarde
com ele. Mas ainda assim, nunca poderíamos imaginar que ele partiria poucas horas depois...
Até a Páscoa, a gente ainda achava que ele iria sair do hospital, que ainda teria mais alguns meses pela
frente. Lédio voltou a trabalhar e eu ainda comemorei a Páscoa com a minha familia...
7 - Coelhinho da Páscoa trouxe o Bob para mim
A primeira Páscoa do Roberto foi simples e bonitinha. Um rápido lanchinho com a minha
família e a presença dos lindos priminhos Lucas e Catarina e dos primões Mario e Alvaro.
Fotos da Danda, Beli e Catarina (o ovo estava escondido) e do Lucas (LINDO!)



Seguem fotos tb do primeiro passeio ao ar livre, na Confeitaria Colombo, na Sexta Feira Santa.
Bob estava acompanhado dos lindos filhos da Fernanda e da Tati, da Approach. João (9 meses) e Luisa
(menos de um mês) mexeram comigo! Lindos.

8 - A vida sem o Sogrinho
Na quarta-feira, dia 26, como já contei, foi o dia do falecimento do Sogrinho. Lédio, claro, sentiu o duro golpe.
Não é nada fácil perder pai e mãe. Ainda bem que só existe um de cada! Nosso foco tem sido cuidar da
mãe dele, qe perdeu seu companheiro de 53 anos. Bob deve ter sentido tanta tristeza no ar. Mas se o pai dele
está triste, se a vida assim (envolve a alegria do nascimento e a tristeza pela morte), Bob vai sentindo isso
do jeitinho dele. Aposto que isso só faz bem. O pai dele está vivo. Por isso está triste. Esse é o clima do
momento. E não há nada muito a fazer...
Caramba, é muita coisa ao mesmo tempo, ne? Mal consigo acreditar que tudo isso coube em um único mês,
março de 2008! Como pode? Nascimento do Bob, medo da audiência, vitória na audiência, viagem caótica,
apresentação do Bob para a família, visitas dos amigos, um milhão de telefonemas, um caminhão de
presentes, encontro do avô e neto, internação do avô, Páscoa, perda do Germenci, luto e MUITA DOR.  
Hoje, domingo dia 30, conseguimos entreter a Sogrinha aqui em casa. A meta e tirá-la de casa, trazê-la
mais para o Rio, mais perto do netinho. Tem dado certo. Olha que linda a foto do Bob com suas
avós juntas.

Assim foi o primeiro mês da vida do Bob. Do dia 3/03 até 30/03 já deu para sentir MUITA emoção!!!
Um beijo, meu filho querido.


Escrito por Germana & Lédio às 18h15
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